Muitas vezes, sabemos que uma relação já não nos faz bem, ou que já não nos sentimos lá. E, mesmo assim, ficamos.
Talvez a pergunta não seja apenas “porque não consigo sair?”, mas também: “o que é que ainda estou a tentar encontrar aqui?”
Às vezes, não é só o adulto que escolhe. É também a criança que fomos, à procura do amor, do cuidado ou do reconhecimento que lhe faltaram.
Continuamos a procurar numa relação aquilo que ficou por receber lá atrás, e é isso que pode manter-nos tanto tempo num lugar onde já não estamos inteiras.
Porém, há outro fator invisível que muitas vezes nos prende: o medo da transição.
Permanecemos onde já não somos felizes porque custa imenso sustentar o período de tempo após a decisão. Aquele espaço sem rede, sem proteção emocional, até conseguirmos construir uma nova estrutura de vida.
Ficar na dor conhecida parece, a curto prazo, mais seguro do que enfrentar o desconforto de reerguer o chão debaixo dos nossos pés.
Mas, quando começamos a olhar para isto, tudo muda. Quando percebes o que procuras nessa relação, começas a ver aquilo que antes vivias sem dares por isso. E deixas de escolher só pela necessidade, para passares a escolher com mais verdade.
Por isso, em vez de te perguntares apenas porque ficas, talvez valha a pena perguntar:
Quando olhamos com honestidade para o que sentimos, algo se aquieta. Deixamos de gastar tanta energia a evitar o que já sabemos, e deixamos de precisar de nos apagar para manter um vínculo.
Fica então uma pergunta, para levares contigo: quanto estás a pagar para manter esta paz?
Responder a isto com carinho e respeito já é o primeiro passo para começares a cuidar de ti.
Se sentes que estás a viver algo assim e precisas de um espaço acolhedor para olhar para o que sentes, podemos fazê-lo juntas.
Com carinho,
Patrícia