Hoje trago-te uma reflexão que costuma gerar alguma resistência, mas que pode ser muito libertadora.
Já reparaste que, quando colocamos alguém da família num pedestal, isso pode ser um sinal de que existe uma dor ou uma desilusão por olhar?
Enquanto essa pessoa permanecer perfeita aos nossos olhos, não precisamos de enfrentar aquilo que nos magoou ou que mudou a forma como a vemos.
Pode acontecer com um pai, uma mãe, um companheiro ou qualquer pessoa que tenha um lugar importante na nossa história.
Já alguma vez disseste ou pensaste: “Esperava isto de qualquer pessoa, menos de ti”?
Esta frase fala de mais do que um acontecimento. Fala da queda de uma imagem, da descoberta de que alguém em quem confiávamos, que admirávamos ou que julgávamos conhecer, era capaz de nos magoar assim.
Quando alguém importante nos fere, acontecem duas dores: a do que aconteceu e a de perceber que aquela pessoa era capaz de o fazer.
Por isso, não estamos só a tentar compreender o que se passou. Estamos também a viver o luto da imagem que tínhamos construído, a tentar conciliar a pessoa que conhecíamos com a que agora vemos. E isso pode ser difícil.
Por vezes, a desilusão transforma-se em julgamento. Deixamos de conseguir olhar para a pessoa para além do que fez, e passamos a defini-la pelo seu erro ou por uma parte da sua história que não conseguimos aceitar.
E aqui surge uma pergunta importante:
o que acontece dentro de nós quando deixamos de conseguir dar lugar a alguém que fez parte da nossa vida?
Reconhecer o lugar de alguém da nossa família na nossa história, mesmo quando teve comportamentos de que não gostamos, pode ajudar-nos a olhar para o passado com menos necessidade de lutar contra ele. E assim já não precisas de passar a vida toda a provar que és diferente da tua família.
Por isso, deixo-te algumas perguntas para levares contigo.
De quem é que te distanciaste através de uma imagem perfeita, feita de admiração?
Que dores se escondem aí?
E quem é que, na tua família, criticas ou rejeitas com mais força, mesmo sem dares por isso?
Olhar para estas dores é um passo importante no caminho do autoconhecimento. E não precisas de fazer esse caminho sozinha.
Se sentires que é o momento, vem falar comigo.
Com carinho,
Patrícia