No dia que simboliza a LIBERDADE, convido-te a uma pequena reflexão: sabemos realmente o que é ser livres? Ou, por vezes, continuamos a abrir mão da nossa liberdade em nome do pertencimento?
Qual é o sofrimento que nos mantém presos? Ao reconhecê-lo com gentileza, começamos também a perceber aquilo de que já não queremos abdicar.
Muitas vezes, o sofrimento que nos mantém ligados ao sistema familiar pode-se manifestar de formas que nos são familiares, mas difíceis de identificar. Pode ser a tristeza profunda, o abandono nas relações, a sensação de rejeição, ou até mesmo a permanência em relacionamentos abusivos ou em processos de perda.
Com frequência, este sofrimento é atribuído ao “azar” ou à culpa dos outros, sem que nos demos conta de que, na verdade, estamos a repetir padrões familiares que nos deram a sensação de pertencimento. E pertencer, de uma forma primitiva, está profundamente ligado à nossa necessidade de sobrevivência. Por isso, muitas vezes é tão desafiador abrir mão desse sofrimento, mesmo que ele já não nos sirva mais.
E é exatamente aqui que surge uma pergunta importante: qual é o padrão que ainda te mantém ligado à tua mãe? Consegues perceber como certos padrões familiares continuam a influenciar as tuas escolhas e, muitas vezes, o teu caminho de vida?
Para experimentar a verdadeira liberdade, é preciso encontrar um espaço de independência e autonomia — cortar, com amor e consciência, o cordão simbólico que nos liga a padrões de sofrimento do passado.
E surge agora outra pergunta: estás disponível para abraçar o preço dessa liberdade — às vezes silencioso, outras vezes desafiante — que nos convida a crescer e a viver de forma mais consciente?
Que esta reflexão seja um convite para olharmos mais fundo para as nossas dinâmicas internas e familiares, e, quem sabe, para começarmos a caminhar na direção de uma verdadeira liberdade. A Liberdade de Pensamento!
Boas reflexões a todos, e um excelente feriado.
Com carinho,
Patrícia
Artigo publicado na Revista Espaço Aberto a 25 de Abril de 2025.